Estou devendo! Como fazer para sair do vermelho?
04/10/2006
Depois de comprar compulsivamente, estourar os limites dos cartões de crédito e quase ser ‘‘enterrado’’ pelas altas taxas de juros, o potiguar Juvenal Cordeiro Costa resolveu buscar no refinanciamento opções que o ajudassem a sair do vermelho. A estratégia deu certo, já que esse tipo de operação - em expansão no mercado e amplamente recomendada por especialistas da área - oferece melhores taxas e prazos de pagamento que os cobrados nas demais linhas. Fatores decisivos para que ele conseguisse quitar o que devia.
Há cinco anos, o cabeleireiro sentiu o bolso apertar pela primeira vez. Com cartões e cheques disponíveis, exagerou nas compras e viu a dívida crescer mais do que esperava. Começou a pagar só o valor mínimo da fatura, no caso dos cartões, e foi acumulando juros. ‘‘Até que um dia decidi resolver a situação. O banco onde sou correntista me ofereceu o empréstimo e aceitei. Peguei R$ 500, paguei minhas contas e fiquei com a dívida centralizada num canto só (na instituição financeira), pagando menos juros’’, diz Juvenal, de 34 anos.
Ele teve que refinanciar de novo este ano. Sem conseguir controlar os gastos, optou, desta vez, pelo crédito consignado (com o desconto feito na folha de pagamento da mãe dele, aposentada). Levantou cerca de R$ 2 mil para pagar contas em aberto, incluindo compras, aluguel e outros custos pessoais. Para quem, como ele, não soube administrar o dinheiro que tinha, os especialistas recomendam como primeiros passos levantar as dívidas - que podem estar por exemplo, no cartão, na parcela do carro, do imóvel ou no cheque - e eleger prioridades de pagamento, para só depois partir para a renegociação.
Vantagens e Riscos
‘‘As prioridades devem ser eleitas de acordo com os juros e o risco de perder o bem (se o que está em aberto é um financiamento imobiliário, por exemplo, vale pagá-lo primeiro para evitar o risco de ficar sem a casa)’’, explica Marcos Vinícius Pereira, coordenador de marketing e comunicação da Telecheque - empresa especializada na concessão de crédito ao varejo. A próxima etapa é buscar as taxas e os prazos mais vantajosos. Nos dois quesitos o crédito consignado é apontado como a melhor das opções. ‘‘É uma modalidade interessante, mas o consumidor deve ter cuidado para não se endividar, ao mesmo tempo, com outras formas de financiamento. Ele tem que se disciplinar financeiramente para não assumir novas compras enquanto estiver pagando o empréstimo’’, diz o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida. Na opinião dele, ‘‘refinanciar é a palavra de ordem’’ hoje em dia. ‘‘Faz parte do relacionamento financeiro, não é um ato vergonhoso. Pelo contrário, é melhor do que entrar num banco de dados por falta de pagamento. É importante que se diga que a inadimplência não é interessante nem para quem concedeu (seja banco ou comércio), nem para quem tomou o crédito. Só quem lucra com ela é o agiota, o setor informal. E não convém ao cidadão buscar essa alternativa’’, alerta ainda o assessor. A alienação de automóveis - ou seja, refinanciar dando o carro como garantia - é outro caminho disponível para sair do vermelho. Assim como no caso do consignado, há a possibilidade de se conseguir prazos mais longos e taxas abaixo das cobradas em outras linhas de crédito. O meio também exige cautela, no sentido de que se evite fazer dívidas paralelas. O penhor também está entre as opções, mas apresenta risco duplo.
‘‘É um alternativa clássica, mas o consumidor tem que ter em mente que se não conseguir recursos para pagar o empréstimo ao banco pode perder o bem, que na maioria das vezes tem valor afetivo, e isso ninguém cobre. Ele teria nesse caso tanto a perda financeira quanto a sentimental’’, diz ainda Almeida. O refinanciamento é oferecido em linhas específicas do Banco do Brasil e na Central da Parceria, instalada há pouco mais de um mês em Natal. Na Caixa Econômica há meios disponíveis, mas nenhum especificamente para esse fim.
Fonte: Diário de Natal
Veja Também
Controle de Financiamento Para você que precisa fazer
os cálculos do financiamento, acompanhar o reajuste mensal das parcelas e controlar o saldo devedor.
Consultor Financeiro Casa Própria Descubra se é melhor continuar
no aluguel ou partir para o financiamento da sua casa própria.
|